Testemunhos

"Tomei conhecimento das narrações aquando da preparação para a investigação para a minha tese de Doutoramento. Inicialmente não as elaborei muito bem, pois com a necessidade de mostrar melhor a minha aula e a analisar em várias vertentes fui aperfeiçoando a elaboração dessa mesma narração. Inicialmente fazia apenas uma descrição dos diálogos entre professor aluno, faltando-me os fatores multimodais (tais como gestos, sorrisos, zangas, recusas, distração, etc). Ao fazer a sua análise deparava-me com a falta de elementos para melhor interpretar a aula e a dar a conhecer aos outros de forma a que estes se sentissem na aula como eu me senti. Após ter entendido em que é que consistia uma narração esta foi de um valor imprescindível para a minha investigação e hoje em dia para a reflexão sobre as minhas aulas. Com a narração multimodal posso ver de novo o que fiz bem ou que resultou em aprendizagem para os alunos, e o que não contribuiu para isso. Por isso uma narração serve para se refletir sobre a aula, dar a conhecer essa aula a outro colega e com isso superar dificuldades e melhorar a nossa prática lectiva e a dos colegas, com vista a que o aluno aprenda mais e melhor."
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Ana Edite Cunha
Professora de Física e Química do quadro da Escola S. Pedro em Vila Real
" O meu primeiro contacto com as NM teve lugar no ano letivo 2007/2008, quando estava na fase inicial do trabalho de investigação que conduziu à minha Tese de Doutoramento. Naquela época tive a sorte e orgulho de integrar a equipa do projeto “Princípios orientadores e ferramentas para desenvolver a mediação dos professores de ciências físicas em sala de aula” (PTDC/CED/66699/2006), que as desenvolveu pela primeira vez enquanto instrumento de investigação. As NM foram de grande utilidade na investigação que desenvolvi e permitiram identificar práticas de ensino que potenciam, ou inibem, o uso da representação visual com estatuto de mediador epistémico, de modo a desenvolver as competências epistémicas dos alunos e tornar as suas aprendizagens mais significativas. Tendo em conta que durante a investigação que desenvolvi, elaborei NM relativas às minhas próprias aulas, tive a possibilidade de identificar aspetos críticos que me fizeram tomar consciência das minhas próprias ações e práticas de mediação e, através do processo reflexivo que elas me permitiram, desencadear a partir daí todo um processo de crescimento e desenvolvimento profissional. A principal dificuldade que senti na elaboração das NM foi a necessidade de manter um registo descritivo, mas objetivo, relativamente aos acontecimentos na sala de aula, mas evitando emitir juízos de valor sobre cada um dos acontecimentos narrados. Tive de me treinar no sentido de não procurar justificar ou explicar cada um dos eventos, mas descrevendo-os com o maior detalhe possível, de modo a enriquecer o seu relato. As NM desempenharam um importante papel ao serviço da investigação que desenvolvi, não apenas enquanto elemento organizador dos dados recolhidos na sala de aula. No caso particular da investigação que desenvolvi, como todas as NM analisadas, apesar de elaboradas por diferentes professores, tinham todas a mesma estrutura e o mesmo foco, permitiram levar a cabo um estudo multicasos, comparando e contrastando a presença ou ausência de caraterísticas particulares de cada um dos casos relativamente às práticas de ensino com recurso às representações visuais com impacto na promoção do trabalho epistémico dos alunos. O uso das NM, além de satisfazer as minhas necessidades enquanto investigadora, permitiu também desencadear todo um processo de autossupervisão da minha prática letiva, que se mantém até hoje e que me possibilitou crescer e desenvolver-me enquanto profissional. "
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Elisa Saraiva
Professora de Física e Química no 3º Ciclo Ensino Básico
" Tive o privilégio de trabalhar na equipa de investigação liderada pelo Professor Bernardino Lopes, que no âmbito do projeto FCT 2006-2009, foi tomando consciência da necessidade de um instrumento que conseguisse captar a essência de aulas de ciência e tecnologia de forma fiável, e que, por outro lado, fosse simples de operacionalizar e causasse o mínimo de entropia durante a prática letiva. Dessa tomada de consciência à génese final das NM, foi ainda um longo percurso em que a sua forma final se foi moldando com base nas discussões no seio da equipa intercaladas com a reflexão cuidada dos seus mentores. O instrumento procurado era ambicioso - pretendia não só dar resposta ao primeiro desígnio, mas também alimentar as diferentes linhas de investigação de cada um. Utilizei as NM no meu doutoramento, primeiro das minhas próprias aulas e mais tarde simultaneamente das minhas e de um colega – aulas “idênticas” e, porém, tão diferentes... Revelou-se muito útil para identificar melhorias necessárias e/ou práticas com melhor sucesso a nível do envolvimento e aprendizagem dos alunos. O processo de realização de uma NM da própria aula é um processo doloroso...tive de resistir à tentação de apagar tudo depois de ouvir a gravação da 1ª vez... Raramente gostamos de nos ouvir, mas embora sendo um exercício difícil, vale a pena conhecermo-nos melhor para poder evoluir. É um tomar de consciência de alguns aspetos menos bons da nossa prática docente e simultaneamente uma validação pessoal dos aspetos positivos. Ao construir as minhas primeiras NM lembro-me de ficar admirada ao tomar consciência de aspetos cruciais na minha mediação com os alunos, cuja importância durante a aula me tinham passado despercebidos. Foi uma forma de me conhecer melhor enquanto professora, mais consciente das dinâmicas criadas em sala de aula e da importância da mediação do professor. Outras vantagens das NM é ajudarem a cuidar a recolha dados, e permitem múltiplas análises minuciosas, versando focos de investigação diferentes, através de documentos de simples leitura, sabendo de antemão que esses documentos (e os dados que lhes deram origem) já passaram o escrutínio de especialistas, constituindo documentos fiáveis. Destacaria duas grandes potencialidades das NM: a primeira a nível do desenvolvimento profissional do professor que faz NM da sua própria prática; a segunda a nível de investigação, ao aumentar exponencialmente o leque de possibilidades de focos de investigação usando NM em diferentes contextos, enriquecendo a relevância das conclusões. "
Clara Viegas
Clara Viegas
Professora no Instituto Superior de Engenharia do Porto
"Contactei com as Narrações Multimodais (NM), pela primeira vez, enquanto aluna de doutoramento, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Colaborei com a equipa de investigação, liderada pelo professor doutor Bernardino Lopes, cujo foco era a mediação do professor em sala de aula. Construi NM das minhas aulas ao nível do ensino básico e secundário. Numa perspetiva pessoal, as NM apresentam duas vertentes/pontos fortes que, para mim, assumem particular importância: i) autorreflexão sobre a minha própria prática docente; ii) utilização das Narrações na formação de professores e na investigação. Ao descrever os acontecimentos que ocorreram dentro da sala de aula, durante o desenvolvimento das tarefas que propus aos alunos, consegui identificar as discrepâncias entre a intencionalidade didática da minha proposta e o efetivo desempenho dos alunos. A reflexão sobre os acontecimentos da aula e as decisões que me levaram a tomar determinadas atitudes facilitou-me a identificação das características da mediação que desenvolvi. Enquanto instrumento de investigação, as NM abrem portas à investigação estruturada disponibilizando dados que, depois de tratados, poderão contribuir para o desenvolvimento profissional dos docentes e para a promoção do trabalho colaborativo entre pares."
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Adília Silva
Professora de Química e Física do ensino secundário
"A minha primeira experiência com narrações multimodais (NM) foi no 1.º ano do Doutoramento em Didática da Ciência e Tecnologia (DCT). Foi na disciplina de Fundamentos da DCT que utilizei pela primeira vez uma narração multimodal como instrumento de recolha e estruturação de dados, obtidos de uma aula prática de Ciências Naturais, com alunos do 5.º ano de escolaridade. Atualmente continuo a utilizar as NM na investigação que estou a fazer no âmbito do Doutoramento. Considero-a uma ferramenta preciosa por facultar a obtenção de numerosos dados e a sua agregação proporcionando uma visão muito completa da aula. Se o professor e investigador são a mesma pessoa é aconselhável pedir apoio a outra pessoa (colega, auxiliar…) para a recolha de imagens. Assim, o professor não tem de estar preocupado com essa tarefa. A reconstrução da aula também é mais fácil se for realizada no período o mais próximo possível da aula, quando todos os acontecimentos ainda estão bem presentes na memória do observador e/ou narrador. "
Foto Fátima Araújo
Fátima Araújo
Professora de Ciências Naturais
"Tive a sorte de encontrar na UTAD um grupo fantástico de profissionais que se organizou como equipa de investigação liderada pelo Professor Bernardino Lopes. Como membro da equipa do projeto “Princípios orientadores e ferramentas para desenvolver a mediação dos professores de ciências físicas em sala de aula” (PTDC/CED/66699/2006) mas também como doutorando, cedo partilhei do sentimento geral do grupo quanto à necessidade de uma nova ferramenta que se mostrasse eficiente a preservar uma aula na sua globalidade. Foi um privilégio participar no percurso de investigação que produziu a ferramenta NM. No trabalho de doutoramento elaborei NM de aulas minhas e de aulas de professores estagiários que supervisionei. As NM revelaram-se muito úteis. Revelaram qualidades que permitiram cumprir as necessidades exigentes de um processo de investigação. Revelaram também qualidades por me permitirem o distanciamento certo, no tempo mas também emocional, para me conhecer melhor como professor, como investigador e como supervisor. O processo de construção das NM, embora nem sempre fácil, teve o mérito de me ajudar a manter motivado e de me focar nos meus objetivos. Em muitos momentos, ao ouvir as gravações das aulas, ao rever registos do quadro da sala de aula, ou em outras partes do trabalho, fui surpreendido com memórias de detalhes que julgava não ter, com a identificação de relações que não estava habituado a fazer, com diferenças entre o que pensava no momento da aula e no tempo de elaboração da NM… Pelas potencialidades que reconheço às NM, em particular, pelo suporte que pode dar ao processo de desenvolvimento profissional de professores, estou presentemente empenhado em encontrar a forma adequada e funcional de as integrar no processo de supervisão de estágios na formação de professores. "
Foto Apinto
Alexandre Pinto
Professor Adjunto na Escola Superior de Educação – Politécnico do Porto
"(...) As NM permitem uma autorreflexão do trabalho do professor que poderão conduzir, após alguma reflexão séria e isenta, a uma melhoria das práticas pedagógicas do professor, nomeadamente ao nível da comunicação dos assuntos a tratar, tanto a nível da eficácia da linguagem (oral, escrita, gestual) como da articulação dos conceitos. Assim, as NM permitirão refletir sobre a clareza e rigor das questões/respostas de professores e alunos. Finalmente e baseando-me na minha experiência de colaboração em outras investigações, as NM poderão parecer muito trabalhosas, ocupando demasiado tempo aos professores, mas com o decorrer do tempo de aplicação (experiência) os professores estarão habilitados a realizar procedimentos esquemáticos e mentais em qualquer momento das suas atividades profissionais (preparação/ aplicação/autoavaliação)."
António Fortuna
Professor
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