O que é?

A Narração Multimodal (NM), como documento, é uma descrição cronológica, autocontida e multimodal do que professor e alunos fazem e dizem num dado contexto de ensino, agregando e transformando todos os dados recolhidos (dados independentes do professor e dados que dependem do seu ponto de vista) seguindo um protocolo previamente definido e publicado (Lopes et al., 2014). Assim, uma NM agrega e organiza dados de práticas de ensino num único documento e tem um primeiro tratamento dos dados, aproveitando a própria perspetiva do professor sobre o que se passa na sala de aula (Lopes et al., 2014). Ou seja, uma NM é um documento autónomo e conciso que pode ser posteriormente analisado, evitando a dificuldade de lidar com múltiplas fontes de dados (Lopes et al., 2014). Incorpora excertos de dados recolhidos e a descrição de intenções, decisões, atitudes, silêncios ou gestos do professor e alunos. Depois de elaborada pelo narrador, uma NM é trabalhada e validada por investigadores independentes de modo a assegurar que seja legível, autocontida, fidedigna e congruente com os dados recolhidos (Lopes et al., 2014). Uma vez validada, uma NM não é alterada, pode-se tornar pública e pode ser usada para diversas finalidades. Note-se a diferença para uma gravação de vídeo ou áudio de uma aula ou outro tipo de dados, que se vistos isoladamente, não representam uma descrição integrada, intersubjetiva e articulada do que aconteceu na sala de aula. (Lopes, Viegas & Pinto, 2017 no prelo).

Características de uma Narração Multimodal

(Lopes, Viegas & Pinto, 2017 no prelo)

  • Ser um relato descritivo (predomínio de substantivos e verbos, evitando adjetivos, com o mínimo de interpretação possível) completo e autocontido com um fio narrativo cronológico assinalado pelos tempos em que certas ações ocorrem (tem semelhanças com o fio narrativo de um conto);
  • Ser uma história genuína (tem a marca do autor) e singular (ocorre em tempos, espaços e circunstâncias particulares);
  • Ser um relato verdadeiro e comprovável, através da ligação a outros dados: gravações áudio, vídeo e outros dados, documentos produzidos pelos alunos, tarefas dadas pelo professor, etc.;
  • Ter elementos multimodais (por ex.: esquemas feitos no quadro, organização do espaço, reações dos alunos, reprodução de excertos de diálogos, silêncios, etc., decisões/intenções do professor e respetivos motivos (esta componente multimodal é fundamental pois não é registável de outro modo), etc.). Estes elementos devem aparecer quando forem significativos e relevantes para a história;
  • Ser um relato sempre focado no que professor e alunos fazem e dizem desde a apresentação de uma tarefa (seja de que tipo for) até que ela seja dada como finda. Estas unidades em redor das tarefas são designadas de episódios. Cada NM terá um ou mais episódios apresentados pela ordem em que aparecem na aula.

Estrutura de uma Narração Multimodal

(Lopes, Viegas & Pinto, 2017 no prelo)

  • 1.ª Parte
  • A) Contextualização – elementos contextuais (tempos, espaços e circunstâncias particulares da aula, características de professor e alunos), planta da sala de aula e posição predominante de professor e alunos;
  • B) Sumário -descrição sucinta do fio condutor da aula (storyline), com os episódios/tarefas que marcaram o tempo cronológico da aula.
  • 2.ª Parte
  • C) Relato descritivo, detalhado e multimodal de cada episódio indicando a hora do início e a hora do fim, pela ordem em que aparecem na aula.
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