Testemunhos

"Tive o privilégio de conhecer as NM a partir da fonte, isto é, principalmente pela voz do Professor Bernardino Lopes. Quer como seu aluno no curso de doutoramento em Didática de Ciências e Tecnologia, quer pela participação em dois workshops, fui progressivamente tomando conhecimento de um novo instrumento de recolha de dados. Face à investigação que pretendia desenvolver, no âmbito da tese de doutoramento, comecei a olhar para as NM como a mais forte possibilidade para dar a conhecer as minhas próprias práticas no ensino de álgebra linear. Em termos metodológicos, a minha investigação acabou por assentar na elaboração de NM de algumas aulas e na posterior análise de conteúdo. Agora, um pouco mais à distância, olho para as NM como um instrumento que escora a metodologia de investigação-ação, quando o próprio é o principal sujeito de investigação, e que induzem, facilitam e motivam a reflexão sobre as práticas de ensino."
Ricardo Gonçalves
Ricardo Gonçalves
Professor no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA)
"Quando se iniciou um novo curso de doutoramento na UTAD, onde então era professor, lecionei a unidade de métodos de investigação em conjunto com os Profs. Bernardino Lopes e José Cravino. Nessa partilha de experiências docentes, contactei com o método das NM, pois era lecionado e base para trabalhos de aplicação do método. Pude observar não apenas as suas bases teóricas mas também como era aplicado pelos doutorandos e as correções explicações dadas pelos meus colegas docentes. A minha experiência de investigação didática baseava-se então, quer pessoalmente, quer na literatura seguida, em métodos que geram dados menos estruturados, como relatos de observação participante, narrativas de ação docente, relatórios de intervenção e outros. O tratamento destes dados é sempre moroso e frequentemente confronta-se com omissões de registo, imprecisões, mesclagem entre factos coocorrentes ligados a sequências de ação diferentes, entre outros problemas. As NM afiguraram-se-me como uma metodologia que poderia aumentar o rigor e riqueza estrutural da recolha de dados em contextos didáticos, possibilitando por isso uma análise mais rica e sólida. Pouco depois mudei a minha atividade profissional para outra universidade pública portuguesa, a Universidade Aberta. Quando nestas novas funções me solicitaram que preparasse e lecionasse, num curso de profissionalização de docentes em serviço, o Seminário de Prática Pedagógica para o grupo 550 (ensino de informática), desde logo decidi - e implementei - que exporia as NM como técnica de registo associada à prática de investigação-ação para melhoria contínua da atividade docente aos professores que eram alunos desse curso."
Leonel Morgado2
Leonel Morgado
Professor Auxiliar com Agregação na Universidade Aberta.
"Como fui membro do projeto de investigação que elaborou as NM, tive o privilégio de contactar desde o início com esta poderosíssima ferramenta de recolha e de organização de dados. A minha contribuição deveu-se essencialmente à elaboração de NMs sem observação direta uma vez que, durante a implementação do projeto, assumi apenas o papel de investigadora no âmbito do meu projeto de doutoramento. O recurso às NMs possibilitou a recolha e organização de dados relativos a aulas de diferentes professores que, de outro modo, não seria possível devido à pouca disponibilidade dos mesmos para esse fim. Através das NMs os professores tomaram consciência das suas reais práticas de ensino, reconhecendo aspetos das suas mediações que correram menos bem. Esta consciencialização promoveu nestes professores uma reflexão profunda das suas práticas de ensino, nomeadamente em determinadas dimensões da mediação que precisavam melhorar tendo em vista uma aprendizagem mais eficaz dos seus alunos. Tendo como suporte as NMs das suas aulas os professores envolveram-se num processo de desenvolvimento profissional auto e hétero-dirigido o que culminou num maior envolvimento dos seus alunos na construção dos seus conhecimentos."
Julia Branco
Júlia Branco
Professora de Física e Química na Escola E.B.2,3/S Gomes Teixeira – Armamar
"O meu contacto inicial com as narrações multimodais (NM) ocorreu durante a minha participação, como bolseira de investigação, no projeto “Princípios orientadores e ferramentas para desenvolver a mediação dos professores de ciências físicas em sala de aula” (PTDC/CED/66699/2006) financiado pela Fundação de Ciência e Tecnologia. Foi durante este projeto que a equipa de investigação desenvolveu as NM. Já num segundo projeto, que também participei como bolseira de investigação, intitulado “O papel da mediação do professor usando simulações computacionais para melhorar a aprendizagem de Ciências Físicas e da Engenharia” (PTDC/CPE-CED/112303/2009) financiado pela Fundação de Ciência e Tecnologia, o uso de NM foram uma constante. Durante a minha participação nestes dois projetos, analisei várias NM de diferentes professores e de diferentes níveis de ensino. Apesar dessas diferenças, é possível efetuar investigação de multicasos porque as NM têm a mesma estrutura e foco. Além disso, as NM não servem apenas para investigar um único tipo de práticas de ensino, pois em cada NM podem ser analisadas diferentes dimensões de ensino, como por exemplo o envolvimento produtivo dos alunos, trabalho epistémico dos alunos, decisões pedagógicas dos professores, entre outras. As NM podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento de investigação acerca de diferentes dimensões do ensino e da aprendizagem. Atualmente analiso as NM para desenvolver o meu trabalho de doutoramento. O meu estudo foca-se nas decisões pedagógicas dos professores na sala de aula. Dada a riqueza e o pormenor da informação narrada nas NM, uma vez que são explicitadas na voz do próprio professor as suas intenções e decisões, o que não acontece com outros tipos de instrumento, como é o caso das gravações áudio ou mesmo vídeo."
CarlaASantos
Carla Santos
Bolseira de Investigação (Doutoramento)
"O meu contacto com as Narrações Multimodais (NM) teve lugar em 2015 quando, a convite do Prof. Bernardino Lopes, tive o gosto de ir à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) arguir uma Tese de Doutoramento. Com grande satisfação pude perceber que as NM (propostas por Lopes et al, 2014) se constituem como um relato multimodal, feito pelo professor que lecionou uma determinada aula e que descreve o que aconteceu na sala de aula (ações e linguagem) a partir de dados independentes (como, por exemplo, vídeo, gravação áudio, fotos, cadernos dos alunos, esquemas sobre a organização espacial da sala, entre outros). Esta descrição exaustiva das ações e discurso do professor e dos alunos, com base nos dados multimodais, permite coligir uma panóplia de elementos relativos a tudo aquilo que o professor perceciona na sala de aula e dos quais é um importante depositário. Uma leitura atenta do trabalho seminal de Lopes et al, (2014) Constructing and Using Multimodal Narratives to Research in Science Education: Contributions Based on Practical Classroom publicado no prestigiado Journal Research in Science Education, sedimentou o reconhecimento do imenso potencial do instrumento NM. Recentemente, desenvolvemos em conjunto com a UTAD, uma proposta de projeto de I&D em Educação e Comunicação das Ciências, no qual as NM terão um papel revelante, contribuindo para uma recolha e análise de dados mais sistémica e holística que permitirá aprofundar a investigação nesta área."
CM
Carla Morais
Professora auxiliar na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
"Utilizei as narrações multimodais como técnica de organização dos dados recolhidos para a investigação que me encontro a realizar, no âmbito do Curso de Doutoramento que frequento. A recolha de dados incluiu diversas fontes: gravação áudio de aula, entrevista a professores, registos escritos dos cadernos diários dos alunos, planos de aula da professora, fotos dos registos do quadro negro e do material manipulável utilizado, enunciados de tarefas e material de apoio ao desenvolvimento da aula (por exemplo, documentos em PowerPoint). Para facilitar a triangulação dos dados (pontos de conexão e verificação entre eles) e para que cada um destes dados fizesse sentido no seu conjunto, faltava um documento em que como professora pudesse incluir as minhas intenções e justificar as minhas decisões. E um documento que me permitisse como investigadora dar a compreender o seu conjunto. A narração multimodal (Lopes et al., 2014) serviu esses mesmos propósitos."
FotoPaula
Paula Montenegro
Professora de Matématica e de Ciências
"Foi em 2015, com o amável convite do Prof. Bernardino Lopes para participar num júri de doutoramento de uma das suas alunas, que pela primeira vez tomei conhecimento das narrações multimodais (NM), estando na altura longe de pensar que este instrumento poderia ser uma mais valia no contexto da minha investigação em museus de ciência. O interesse por esta ferramenta conduziu-me a inúmeras leituras sobre o assunto, tendo tido a possibilidade de partilhar ideias com vários membros da equipa que o criou. Deste diálogo emergiu a relevância deste instrumento no desenvolvimento profissional dos educadores de museus num modelo reflexivo. As NM permitem num único documento e de modo holístico e fidedigno incorporar vários dados referentes às práticas dos educadores de museus, apresentando assim um registo de discurso multimodal, enriquecido com dados dependentes. Este documento constitui como que uma janela para o interior do museu e para as práticas de mediação que lá ocorreram, podendo ser facilmente partilhado e analisado segundo múltiplas perspetivas. É na partilha deste documento e na reflexão partilhada das práticas nele expressas que reside o valor deste documento, enquanto instrumento que favorece o envolvimento dos educadores de museus em processos reflexivos que promovem a transformação e emancipação destes profissionais."
Ana Afonso
Professora Auxiliar no Instituto de Educação, Universidade do Minho
"Tive o especial gosto de contactar com algumas produções de narrações multimodais (NM). Jovens professores/investigadores recolhiam e partilhavam dados de aulas através da construção narrativa de uma realidade (expressão de J. Bruner) - a aula. Utilizavam um instrumento criado, desenvolvido e utilizado por investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, de entre os quais destaco Bernardino Lopes e José Cravino. Tudo isto se passou no âmbito dos seminários e nos júris de doutoramento em Didática das Ciências Físicas, na UTAD. A realidade de uma aula é monumental e incorpora diferentes modos de existência (professores, alunos, experiências, textos, filmes, interações diversas, etc.). É, por isso, difícil de a "ver" na sua completude. As NM permitem uma aproximação mais holística à realidade de uma aula, relativamente a outros métodos de recolha de dados. Tem-se destacado o seu valor no desenvolvimento profissional dos professores e na investigação em educação. Junto-lhe o valor no desenvolvimento pessoal de professores e de investigadores. A atenção à realidade desenvolvida através da construção das NM torna-se um hábito do espírito, instaurando gestos que se repetem na experiência de outras realidades. Sintonizar com a realidade da aula exige a multiplicação de uma atenção treinada e uma consciência da sua monumentalidade. A construção de NM incorpora e desenvolve estas qualidades."
Mariana Valente
Mariana Valente
Professora Auxiliar do Departamento de Física da Universidade de Évora
"A primeiro contacto que tive com as Narrações Multimodais foi através de Lopes e os seus pares (2014), no âmbito do Seminário Doutoral (I e II), do Curso de Doutoramento em Didática de Ciências e Tecnologia da Universidade de Trás- os- Montes e Alto Douro. Esta participação nestes Seminários permitiu-me reconhecer que as Narrações Multimodais constitui uma ferramenta metodológica promissora para o desenvolvimento de investigação na área da Didática da Matemática. A estrutura de uma narração multimodal envolve as seguintes partes: uma primeira relacionada com a contextualização – informações contextuais (por exemplo, a apresentação da narração da aula por inteiro e/ou a narração sintética da aula); uma segunda parte relativa a descrição de episódios identificados, focando as interações, linguagem utilizada, entre outros elementos. Face ao exposto, permite a recolha de dados sobre as práticas de ensino e aprendizagem, com especial enfoque nos contextos, na intencionalidade didática e nos vários significados atribuídos às interações que ocorrem durante essas práticas. "
TeresaNeto
Teresa Neto
Professora Auxiliar no DEP da Universidade de Aveiro
"As Narrações Multimodais (NM) surgiram em minha vida acadêmica e profissional durante o desenvolvimento da minha pesquisa de doutorado. Minha orientadora conheceu o grupo responsável pela criação deste instrumento e daí surgiu a possibilidade de utilizarmos as NM em minha tese. Para viabilizar este trabalho, por um período de seis meses (doutorado sanduíche), pude estar na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro com o grupo criador das NM o que me possibilitou maior compreensão acerca da complexidade e potencialidades de uso deste instrumento. A utilização das Narrações Multimodais foi fundamental para o desenvolvimento da minha tese de doutorado - “Investigando a Mediação Pedagógica em Aulas de Química do Ensino Médio por meio de Narrações Multimodais”. Nos estudos desenvolvidos no Brasil não encontramos um instrumento que nos desse o nível de detalhamento e complexidade de uma aula como foi possível com as NM. Os instrumentos que tínhamos disponíveis eram muitos, mas todos independentes. A cada análise era preciso reunir grande quantidade de recursos (gravações em áudio, vídeos, cadernos de campo, cadernos dos alunos, entre outros), o que demandava mais tempo. O detalhamento possibilitado pelas NM permitiu que as aulas de Química fossem descritas e analisadas em sua complexidade. Como defendem os criadores das Narrações Multimodais, este instrumento tem a intenção de produzir um documento o mais completo possível, com dados sobre o professor e as suas intenções e decisões, sobre os alunos e o trabalho desempenhado por eles em sala de aula, enfim um documento capaz de “mostrar” de fato, dentro do possível, os acontecimentos de uma sala de aula. É importante destacar que em uma pesquisa há sempre a necessidade de um recorte para que se efetue uma análise mais profunda, no entanto, a utilização das NM permite a análise de inúmeras dimensões envolvidas nos processos de ensino e aprendizagem. Ou seja, as mesmas Narrações podem ser utilizadas para a análise de diferentes aspectos da sala de aula, uma vez que permitem que todos os dados coletados fiquem reunidos em um único documento facilitando o trabalho do pesquisador e permitindo uma visão holística de todos os acontecimentos da sala de aula. Na pesquisa desenvolvida, e considerando-se todo o contexto da aula, puderam ser discutidos aspectos como os registros semióticos e o papel do material didático utilizados nas aulas de Química. Ou seja, foi possível discutir, entre outros aspectos, como estes registros semióticos foram utilizados pela professora e pelos alunos, qual a influência do material didático nas práticas de ensino da professora e que decisões foram tomadas durante as aulas com o objetivo de promover a aprendizagem dos alunos. A construção das Narrações Multimodais me possibilitou uma melhor percepção das aulas de Química observadas durante a minha pesquisa. É possível afirmar também que o contato com as NM possibilitou a professora parceira da pesquisa uma visão mais criteriosa de suas ações em sala de aula. Embora as NM tenham sido construídas por mim, houve uma intensa interação com a professora responsável pelas aulas para que os acontecimentos narrados fossem os mais próximos da realidade. Tal fato possibilitou reflexões, tomada de consciência e, em certa medida, uma melhoria das práticas de ensino. Não há dúvidas de que grandes contribuições para a minha formação como pesquisadora e professora foram possibilitadas pelo uso das Narrações Multimodais. "
Carol Maria
Carolina Maria
Professora de Química da Universidade Metodista de Piracicaba (Brasil)
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